Programa reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir avanços, acessibilidade e participação social em Roraima. – Fotos: Eduardo Andrade | SupCom/ALERR

A Superintendência de Comunicação (SupCom) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) promoveu, nesta sexta-feira, 25, um podcast especial sobre os direitos das pessoas com deficiência, com o tema “Setembro Verde: Inclusão que precisa ser vivida”. O programa foi transmitido pela TV ALERR, no canal 57.3, e reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir os desafios e os avanços relacionados à inclusão em Roraima.

Durante o debate, os convidados abordaram temas como acessibilidade, inclusão educacional, atendimento às famílias, comunicação, esporte paralímpico, dificuldades de inserção no mercado de trabalho e efetivação dos direitos previstos na legislação. As discussões também destacaram a importância da participação da sociedade para que as garantias legais sejam colocadas em prática no cotidiano.

Jornalista Raynãa Fernandes conduz debate sobre os avanços e desafios para a inclusão em Roraima.

A jornalista Raynãa Fernandes, mediadora do podcast, destacou que o debate evidenciou avanços, mas também desafios que ainda precisam ser enfrentados para que a inclusão faça parte da rotina da sociedade.

“Sim, estamos avançando, mas ainda não estamos no mundo ideal. Quando a gente fala de educação, de acesso, de facilitar a educação nos espaços de socialização e, principalmente, da mentalidade da nossa sociedade, esse é o ponto-chave. É uma mudança que depende de leis efetivas, mas também da participação da nossa sociedade”, destacou.

Coordenador do Teamarr, Jourdan Galvão, ressalta a importância do atendimento às famílias na construção de políticas públicas.

Família, políticas públicas e acesso à saúde

O coordenador do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), Jourdan Galvão, destacou a importância de incluir as famílias e a sociedade nas discussões sobre políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência.

“Quando a gente fala em inclusão, a gente tem que incluir, englobar a família e a sociedade como um todo. O Teamarr funciona como um receptor dessas informações familiares. A gente colhe as necessidades e procura discutir políticas públicas necessárias para dar suporte a essa população que, muitas vezes, não é ouvida no seu dia a dia”, explicou.

Presidente da Associação Amardown, Francisca Evânia da Costa, relata desafios enfrentados diariamente pelas famílias de pessoas com deficiência.

Para Francisca Evânia da Costa, presidente da Associação Amardown, apesar dos avanços, as famílias ainda enfrentam dificuldades diárias, principalmente nas áreas de educação e saúde.

“A inclusão é muito bonita no papel, mas nós, por exemplo, lá da associação, sentimos a dificuldade diária das mães e de toda a família. Ainda falta muita coisa, principalmente na educação e na saúde. Acredito que já tivemos algum avanço, mas precisa muito, muito mesmo”, ressaltou.

Representante do CAS, Cynara Portella destaca a importância da acessibilidade para garantir a inclusão de pessoas.

Cynara Portella, do Centro Estadual de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), ressaltou que a presença em espaços públicos não significa, necessariamente, que uma pessoa com deficiência esteja incluída. Como exemplo, citou as dificuldades enfrentadas por pessoas surdas no acesso aos serviços de saúde.

“Permitir que as pessoas surdas ou com outras deficiências estejam em ambientes públicos não quer dizer que exista inclusão. Um surdo tem o direito legal de procurar um hospital público, mas ainda temos, enquanto sociedade, essa deficiência com relação à efetivação da inclusão”, ressaltou.

A representante do CAS também destacou a importância do diálogo para avançar na construção de soluções. “Se nós não discutimos, se não debatemos, a gente não consegue dar um passo à frente. A gente fica na mesmice”, afirmou.

Treinadora Ana Kesia Neves apresenta o esporte paralímpico como ferramenta de socialização e qualidade de vida em Roraima.

Esporte como ferramenta de inclusão

O esporte também foi apresentado como ferramenta de socialização e qualidade de vida. A treinadora Ana Kesia Neves, do Centro de Referência Paralímpica em Roraima, explicou que a oferta de modalidades para pessoas com deficiência vem crescendo no estado.

“O esporte entra para acrescentar ainda mais para a pessoa com deficiência uma opção de qualidade de vida, um local onde ela possa socializar e praticar esporte. É algo que ela gosta, que motiva, que pode competir e interagir”, explicou.

Um dos assuntos abordados por ela foi a necessidade de adequar os recursos às necessidades das pessoas com deficiência. Como exemplo, citou o caso de uma aluna que se queixava de dores no braço. Ao conversar com a estudante e buscar entender a situação, percebeu que o desconforto era causado pela cadeira utilizada por ela, que não era confortável e pesava mais de 20 quilos.

Podcast da TV ALERR reúne profissionais para discutir direitos, inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência.

A cadeira era diferente daquela usada pela aluna durante os treinos, que é mais leve e permite maior liberdade de movimento.

Ao longo do podcast, os participantes reforçaram que a inclusão depende não apenas da existência de leis, mas também do conhecimento sobre esses direitos e da participação da sociedade para que sejam efetivamente colocados em prática. Educação, saúde, acessibilidade, esporte, atendimento especializado e participação das famílias foram apontados como áreas que precisam caminhar de forma integrada para ampliar a inclusão em Roraima.

Nesse processo, conhecer os direitos e compreender as necessidades das pessoas com deficiência são passos importantes para que a sociedade também participe da construção de uma realidade mais inclusiva.

Em razão da legislação eleitoral, a produção será disponibilizada no YouTube da ALERR (@assembleiaRR) somente após o período de campanha eleitoral.

Monica Gizele